sexta-feira, novembro 16

Contrastes e semelhanças



Olá amigos,

Há algum tempo que eu queria falar das atividades sociais do grupo de esposas de agregados aqui de Honduras, mas uma coisa atropela a outra e eu acabo contando apenas as novidades dos pequetitos.

A foto ao lado (eu, Marcela da Colômbia e Emma do México) foi tirada na nossa última visita ao Hospital Escuela aqui de Tegus, que seria o nosso correspondente do hospital universitário do Fundão. Fomos distribuir donativos para as mães que tiveram seus filhos neste dia e entregamos um kit com roupas para elas, incluindo material de higiene e roupinhas para menino ou menina, dependendo do sexo do bebê. Todo o material doado veio de Taiwan, que coloca muito dinheiro aqui. Neste dia nasceram quase 70 crianças e o trabalho foi bem cansativo, mas muito gratificante.

A realidade dos hospitais daqui não difere muito da brasileira, mas como tivemos acesso a áreas internas, como a de trabalho de parto (por isso as roupas), tudo é mais chocante. Não creio que tivesse me impressionado menos se tivesse entrado no Miguel Couto, mas como há anos não o faço, o impacto daqui foi grande. Mulheres recém paridas, ensanguentadas, enroladas em lençóis que mais pareciam trapos rasgados. Mas como estava preparada para o que ia encontrar, mantive a tranquilidade para conversar com elas. Sabem o que mais me impressionou? Ao perguntar o nome do bebê para dar o kit de menino ou menina, 90% das mães ainda não tinha escolhido o nome de seu filho. Tive impressão de que aquelas mulheres não estavam preparadas para receberem seus filhos.

Mas para contrastar com esta realidade, fomos conhecer a pequena cidade de Ojojona que fica a 45 minutos daqui. A cidade é bem modesta, mas é interessante pela sua antiga igreja e pelas ruas de pedras e artesanato. Creio que 80% da população local está envolvida na produção de artesanato, principalmente de peças de barro. Foi muito interessante ver a confecção de ponta a ponta e conversar com os artesãos. Quem nos recebeu foi uma senhora amabilíssima chamada Vilma. No início achei que ela fosse apenas uma auxiliar do padre local, pois ela começou nos mostrando a igreja, mas com o passar do tempo vi que ela era uma entusiasta de toda a região e que ela é a diretora de recursos humanos do recém inaugurado hospital da cidade. Vilma fez questão de nos mostrar todos os consultórios e nos apresentar os médicos. Contraste total, hospital novo, bem cuidado e equipado, pessoal uniformizado, uma coisa linda. Uma das coisas que me impressiona aqui é orgulho que as pessoas sentem em mostrar suas casas, seus monumentos e seu trabalho, por mais humildes que eles possam ser.

Essa é uma coisa que temos que aprender com este povo.

Abraços

Fernanda

2 comentários:

Anônimo disse...

Estou bastante satisfeito ao tomar conhecimento das notícias de vocês. Sinto, no entanto,que há atraso nas atualizações. beijos do pai. Armando

Anônimo disse...
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Aventuras em Honduras