domingo, maio 25

Conjuntura hondurenha

Olá amigos,
Hoje o blog volta a falar um pouco sobre a atual situação do país que não anda nada boa. Até o momento não fomos diretamente afetados pela crise econômica e energética, mas não podemos afirmar como antes que tudo aqui saía quase que de graça. Os índices de criminalidade continuam altos, mas afetam mais diretamente a população da periferia e continuamos a viver no falso oásis da classe média.

Honduras vive um momento especialmente difícil, devido às constantes elevações do preço do barril do petróleo e dos produtos alimentícios de primeira necessidade. O custo de vida de uma maneira geral tem subido muito rapidamente, o que afeta em particular a classe considerada pobre, que conforma 70% da população. Já se fala em forte risco à governabilidade e possibilidade de convulsão social, caso o governo não encontre saídas alternativas que permitam aliviar o sofrimento da população. Somente em 2008, o preço da energia elétrica aumentou em mais de 100% e o dos combustíveis nos postos em cerca de 50%. A cesta básica também sofreu acréscimo de uns 50 %, em que pese o esforço do governo em manter vários produtos subsidiados. Neste mesmo período, o salário mínimo que é de 175 dólares (mas na prática poucos privilegiados recebem), manteve-se inalterado. Para uma população que já sobrevivia com extrema carência, tais aumentos trazem sérias conseqüências, inclusive com repercussão nos já elevados índices de criminalidade.O governo, por sua vez, está diante de um problema de difícil solução, pois não são muitas as alternativas em curto prazo. Todo petróleo consumido em Honduras é fruto de importação. É destinado não apenas ao setor de transportes, mas também à produção de energia elétrica, uma vez que 75% das plantas geradoras são à base de diesel. Atualmente, mais de 80% da totalidade de dólares que ingressa no país é direcionado à compra de combustível. Com a elevação quase diária do preço do barril de petróleo esse percentual também cresce, comprometendo seriamente as reservas financeiras do país.Por outro lado, a entrada de dólares em Honduras vem sofrendo uma drástica redução. Isto se deve a dois fatores principais. Em primeiro lugar, por diferentes motivos, o país perdeu competitividade, diminuindo suas exportações, inclusive de produtos tradicionais, como a banana. Em segundo lugar, porque a remessa de dólares por parte dos imigrantes, legais e ilegais, que vivem nos Estados Unidos está diminuindo a cada dia.Estima-se que mais de 10% da população, cerca de 700.000 pessoas, esteja vivendo fora do país em busca de melhores condições de vida. Por esse motivo, já faz alguns anos, tais remessas converteram-se na principal fonte de divisas de Honduras. No momento, elas vêem sendo afetadas pela crise econômica experimentada pelos estadunidenses, que diminui a capacidade de envio, e, principalmente, pelo endurecimento das medidas de combate à imigração ilegal. Somente em 2007 e nos primeiros meses de 2008, mais de 60.000 hondurenhos foram deportados dos Estados Unidos, incrementando o número de desempregados em Honduras.

Abraços da família

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